Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Não há melhor Lisboa moribunda


Sobre Lisboa está sentado um sapo, horrendo e engravatado, que  não a deixa respirar. Sobre Pessoa, hipotecado à morte, pende a aprazada sentença do fim. E é então que vamos à gaveta dos recortes, dos seres de papel, Reis, Lídia… Ah! A leitura. Da leitura, façamos literatura. Do pensamento, façamos invenção. E fez-se. Da melhor. Não há melhor Lisboa moribunda do que a que aqui se fez. Não há Pessoa mais fugidio e impróprio do que o que aqui se lê. Mas como se fez isto? Sobretudo com aquela coisa que era costume dizer-se da falta de modos gramaticais em Camões: — Liberdades poéticas!
 Que magnífica liberdade poética, O ano da morte de Ricardo Reis!

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